
o verde
sendo o âmago do azul
mais se acolhe à fornalha branca
dentro da queimadura da par
t ida
para que servem as ruas
na palma da morte*
(*do teu batel)

haveria atr
avés da lacuna da minúcia
a falha da exalt
ação. uma certa bagunça de nós. des ata dos. os tons acen
tuavam-se dur
ante a clara visão do im
pacto
por onde rea ver a intei
reza
por onde descre ver a que
da
retorna-se sempre aos naufrágios
às suas longas matrizes de sal
aos seus espaços de vácuo marítimo
retorna-se sempre aos naufrágios
às vastas sentenças das suas rotas imaginadas
retorna-se sempre aos naufrágios
à alteridade da sua derme impregnada
retorna-se sempre aos naufrágios
aos umbrais por onde se resigna a resina
à espessura do casco
à
pe
numb
ra

Da raíz ascendente, o pendor da matéria articulada.
E se houvesse um programa que permitisse ver canais de televisão de todo o mundo de graça? Incluindo canais por cabo? Há coisas que ultrapassam a imaginação. Até aqui era possível ver televisão online se a estação disponibilizasse essa possibilidade na web. Agora chegou um outro tipo de TV online. O TVU é um programa de televisão peer-to-peer. É uma espécie de Emule da televisão, os utilizadores servem de servidores uns dos outros. Qualquer pessoa pode tornar um canal de televisão disponível em qualquer país do mundo e qualquer pessoa com banda larga pode ver canais de televisão de todo o mundo em tempo real. Tudo de forma gratuita. Neste momento a maioria dos canais disponíveis são da Ásia e dos Estados Unidos. Há uma boa selecção de canais importantes e por cabo entre canais de entretenimento, filmes, música, desporto, variedades e notícias. As probabilidades são as de haver cada vez mais canais.
Pode obter aqui o programa de forma gratuita. É muito fácil de utilizar com design intuitivo e selecção fácil de canais. A qualidade da imagem e do som é surpreendentemente boa. Um oásis televisivo.
Setembro é uma encarnação de um recomeço forçado ou uma incisão de corte profundo num sítio delicado. Setembro foi um mês carregado. Também de eventos. Há um primeiro esforço a solo de Thom Yorke (vocalista dos Radiohead) e também de Skye (antiga vocalista dos Morcheeba) e até Caetano Veloso lançou um novo álbum onde canta uma canção em sotaque Lusitano (sem comentários de momento).
Gosto muito de três canções de “The Eraser” de Thom Yorke.
Mas é um álbum experimental forçado e não tem a pureza conceptual de “Kid A”, com o qual é inevitável haver comparações.
É também inevitável comparar a estreia a solo de Skye, "Mind How You Go", com o som quase-perfeito dos Morcheeba.
As comparações com o passado são sempre cruéis. No mínimo, são pesadas. Ás vezes são injustas. É um bom começo a solo para uma das melhores vozes soul da actualidade mas tem altos e baixos (tanto nas melodias como nas letras – felizmente os baixos vão juntos) e por vezes há um piscar de olhos ao mercado. Mas há algumas pérolas neste álbum (na verdade são a maioria) como “Love show”, “No other”, “All the promises” e “Say amen”. É um álbum que vale a pena ouvir e a voz de Skye é reconfortante num mês de despedidas. Algumas destas canções são fortes candidatas a ficar na cabeça e isso inclui “The clock” de Thom Yorke.
Há sempre pérolas nos recomeços.
P.S. Estou a pensar em criar um podcast de música no blog. É um desafio interessante porque sempre gostei de criar coisas em que ninguém está interessad@ - é uma espécie de sina à qual se ganha gosto

"And the fire fades away
most of everyday
It's full of tired excuses
But it's too hard to say
I wish it was simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world
To me."

peculiaridade
substantivo feminino
1. qualidade do que é peculiar;
2. característica particular ou especial; especificidade;
3. invulgaridade;
4. capacidade de ser cínico até à exaustão;
5. tipo de cócegas às 3 da manhã em sítio inatingível;
(De peculiar+-i-+-dade)
.
dessa brevidade do voo
(perpendicular à palpitação)
nada se regista
nesse assunto de leveza quase
amorfa
uma nota
de desagravo
nesta quaresma de cor*
* Os efeitos secundários desde poema incluem, entre outros:
palpitações, ânimo azedo, dores no dedo grande do pé, vontade súbita de rasgar papel, explosão de veias em locais atípicos, constipações do joelho, propensão para perseguir gatos.
Se sentir qualquer um destes efeitos, ou outros que não estejam aqui mencionados, deve visitar de imediato o/a sua poeta de serviço

Costumava gostar de livros. Até descobrir os barcos. Descobri os barcos quase por acidente, depois de me ter esbarrado de carro contra um, numa auto-estrada movimentada. A parte da frente do meu pequeno veículo tinha ficado completamente amolgada mas o casco reluzente do barco estava intacto. Pensei que se um barco era assim tão seguro em terra, certamente o seria mais ainda em mar. Às vezes pensamos coisas só porque não temos mais nada para fazer. Havia um idealismo nos barcos que sempre me deixava curvada. Gosto de curvas. Nesse dia resolvi que precisava de ter um barco.
Decidi que queria uma estrutura de madeira, algo que me lascasse as mãos. Hoje em dia toda a gente quer artifício e velocidade. Eu gosto de remar, gosto da morosidade das veias. Um barco é uma casa aberta sobre as ondas – uma possibilidade de derrapagem sem o absurdo dos travões.
A primeira vez que me aventurei no barco, remei até fora da baía – precisava de uma viagem imaginada, queria potenciar as minhas próprias páginas. Remei incessantemente até quase não ver terra. Naquele dia perturbava-me a inscrição mal desenhada da costa. Precisava de algo bem delineado. Tinha de continuar até que o mar me abraçasse na totalidade. Não era tanto uma obsessão, era uma procura de tonalidades.
Finalmente sentia-me submergida de azul, as ondas balançando através do meu corpo como aves mudando subitamente de direcção durante o voo. Estava inundada de cores. Quando voltei a mim percebi que existem desvantagens nos barcos. Aparentemente a madeira cede mais facilmente em água do que em terra.
Diálogos de um Cão saltitante
acordar prendendo os cabelos das vidraças flamejantes

Pendura-me o vento nos sinais. Rasga-me a madrugada pela espinha. Que o teu sopro dirigido seja uma espécie de hino à melancolia.

A alma morre pela boca.
O peixe morre pela procura.

a mulher-lua detém-se por debaixo do círculo. apara as madrugadas. ampara os decassílabos. por onde seria a entrada do medo? “manda-me um sms a confirmar a hora – só para eu estar já devidamente aterrada – como os aviões.”
nunca se pede só a minúcia – pede-se sobretudo a abóbada iluminada rasgando-se em rosetas – ou uma chuva potente de embarcações com rotas bem traçadas. nisso nunca se deixa de pensar os mapas. ou as alegorias.
partiu a memória em um dia que poderia ter sido quase ameno. os calendários eram quase tão detestáveis como os relógios. os relógios eram quase tão detestáveis como as horas. para as horas não havia ódio possível – derretiam-se aos pés e ainda esboçavam um sorriso. era uma questão de tempo. sabia-se que um dia um gelo iria multiplicar-se pela infinidade de caminhos e nunca mais voltar atrás. seria uma espécie de migração ao contrário. uma infusão tão forte pelas veias que a entrada da rua teria uma tabuleta dizendo: “Beco Sem Saída” – com letra helvética e a negrito. mesmo assim entrava-se e procurava-se através dos fios uma silhueta de calor. uma pegada. quando se tinha sorte descia-se pelas pegadas à transfusão do mundo. mas era uma coisa bélica de respiração forçada. não havia dentro da mitigação qualquer oceano tangível. porque a mitigação esperava as coordenadas certas e nunca andava com bússola. nessas alturas era quase audível a voz do gelo. a princípio era sempre uma memória futura de si próprio que nunca se quis cumprir. era a aurora incendiada por onde só haveria decalques das pegadas uma vez visitadas. era a aberração do vento norte e o cansaço derretido em cada poro. depois da visitação a voz prostrada era mais evidente, abrindo-se ao horizonte agora vermelho: “não me peças uma lembrança, pede-me as cores de uma ilusão funcional e duradoira – pede-me uma fábrica de seixos onde se possam inscrever desejos. olha-me como se eu fosse quase-humana. enfeita-me os cabelos como se entrançasses madeixas de luar. pe(r)de-me na multidão como se me libertasses de todas as agonias pendentes. amarra-me a alma a um salgueiro sedento junto ao rio – eu serei a água. eu posso ser a água. é por isso que me esgoto.”
pela parede. uma costela de linho abraçando a matéria. dos sonhos. era uma exacta exa te dão. uma vaga-lume entrando pelas coxas da melodia acesa. ousando a medida do tempo. ofuscando o farol. uma inter>jei>são mede
ando o caminho. do mel.

era a inundação. a percepção total das coisas viventes. “is it time for my painkiller?” era o dia inato. era cáustico. era quasi-humano. era o precipício dentro da fundação do mundo. “is it time for my painkiller?” era um caminho de espinhos acesos. uma montanha presa ao humano. uma cor de paredes claustrofóbicas. “is it time for my painkiller?” ~

era um som ansiado. uma breve aparição. um dia sem sentir o corpo. um olhar todo-dizente. um horizonte espelhado de desejo. uma promessa. um pequeno nada. “today is a happy day” “oh, what a happy day”.
N/A paisagem imprecisa do verbo, aí começa a fazedura das coisas. “Sei da permanência das coisas aquando da tecelagem da paisagem pelos fios últimos da presença”, disse a voz por dentro da luz. Era como (a)guardar o correr das veias na curva vertiginosa dos dedos.
Nunca se percebe a unicidade dos ventrículos à contraluz. É possível que haja uma elocução perdida no rio do útero. O som do piano surge sempre antes do toque dos dedos. Há nisso uma sequência de filamentos. E a música apega-se ao vazio como uma invasão marítima. Da potência do retorno, há os troncos preenchidos de dádivas. Era isso a excelsa erupção.
Há, por debaixo da plasticidade dos mitos, uma abertura, uma verticalidade inalienável, uma construção de primórdios por onde rebolam as auroras. É nesse princípio iniciático que se movem as fagulhas. Não era isso uma vontade primática ou a percepção da queda. Era isso uma acrobata de trapézio agarrado às orelhas. Um trapézio por dentro do mecanismo do vento.
Haveria por cima do agachado lugar a que chamamos mundo uma imensa melancolia. Haveria também uma alegria desventrada, por onde passeiam ocasionalmente as aves de bico breve.
Era uma imensidão de tacto, uma faculdade de admiração e todas as casualidades que se alimentam da busca. Seria um lugar de prismas, de perscrutações agudas e doces encontros. Era aí que se ancorava veementemente o trapézio. Era um encontro de buscas, uma harpa apeada perante o divino. E não haverá retorno da vontade.
é sempre para além dos anzóis, nas escavações interiores, por onde se ecoam as fagulhas.
e se a carne te comesse nessa amargura de fome. a fartura da presença seria migrante de pérolas, fazedora de camélias por entre a obscura-
idade.
a cortina de Ishtar prende-se por vezes ao cento – a iluminar as entranhas movediças onde caíam mulheres e homens iridescentes e por vezes estátuas
o pendente era azul e negro tais as formas da benigna redenção ou morte
no manto das suas tranças fartas o colo da humidade bifurcada a lezíria da mente
o começo da antiguidade seus olhos guardam os lados da memória
a justiça o perdão
o esquecimento a lembrança
a perscrutação
na sua armadilha de veludo as pontes submersas do início onde fomos chamad@s à sucção das entranhas pelos ladrilhos desse rio dançante preposição de caos entrando lentamente na ausência ou uma dentada suspensa nos olhos do compasso
essa armadura de cabeça esconde a delicadeza das migrações de dálias onde se juntam as festividades benzidas e as luciféricas medalhas de réstias
também a magnitude do propósito, na continência do olhar verbal – esse fuzilador de açudes
no cinto do zodíaco os caminhos das nascentes de benquerença por onde se enfeitam os espartilhos de pele
e o custo dos dentes cerrados às costas

um outro onde
se levantou das dunas da lembrança
indicando para aquele rasgo de azul incrustado
sítio aberto de transparências
e os braços da seiva no ouvido virados atentamente
para o encanto deste encontro
onde a terra lavrada desta face
pó deste ofício
se eleva
acima do meridiano
a passagem da claridade
na consumição das cores
esse sublimar convexo
e possível durante a matança –
a bússola perdida debaixo d’ água e os
olhos arenosos
pela orla imaginada, a exactidão dos trilhos líquidos.

da mesma forma que se falaria da brutalidade das veias. eram correias acesas. eram quase resíduos. um lugar de acesa poeira. mas bem-vinda.
pede-se licença para ser entusiasta.

na reentrância havia o espaço perfurado do ser. um machado aceso cultivando o olhar. e o corpo forrado de parede – edificado.

Photo por Francesca Woodman
Mais dela em: http://www.heenan.net/woodman/
É necessário indagar da legitimidade democrática das falésias agachadas sobre o pensamento.
p_______. Para além da incadescência dos ossos por onde se abrem as correntes de larvas acesas
No lugar da paz, para além da superfície tocável dos líquidos - por onde se escoam as terras
p_______. por vezes dentro das vezes do mistério acreditado - é sempre nas vésperas do soluço
a égide da busca.
Existia. Uma faísca pelo meio da matéria. A promiscuidade iluminada.

Uma morada agachada. Havia nela o retracto circular iluminado. Um certo retiro por onde o vento entrasse de baixinho.
Um lugar indivisível – como o _______.
.
.
.

Havia um piano recortado entre as pedras. Havia um soluço por onde entravam as forças dos elementos. Era uma tatuagem cuidadosamente implantada que crescia por dentro - como a música.

Não era a perseguição em si mas aquele espesso-espaço-espesso de ausência recortada, asfixiante. É preciso que a luz se abra em flor por sobre a sua resistência.

No princípio da repetição havia o blog. No princípio da viagem havia um grão de areia. No princípio da mastigação havia a metafísica da esperança. O pássaro primordial.

Um blog com poesia, prosa, fotografia, arte e bolinhos de café.
Escrito por aNa B.
Email: ana@ana-b.com.
Site: www.ana-b.com
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